Afinal,
o TGV e o Aeroporto de Lisboa, talvez da “rive gauche”, irão ser uma realidade
de acordo com as orientações do governo. O mesmo governo que, de forma pouco
correta e nada cordata, anunciou que seriam duas obras megalómanas do governo
socialista.
Que
o governo o tenha dito não me espanta. O que me espantou, ou talvez não, foi o
silêncio cúmplice dos socialistas que não saíram em defesa do seu projeto de
desenvolvimento do País. Sim, porque todos perceberam, minto, alguns
perceberam, que seriam duas obras de dimensão estrutural determinantes para a
nossa afirmação na Europa. A mesma Europa que nos atira para a pobreza e a
miséria.
Sabíamos,
melhor, alguns sabiam, que o TGV nos aproximaria do centro da europa a partir
de Sines, porto de águas profundas único no continente. Teria sido para nós o
“grito do Ipiranga” económico. As mercadorias de todo o mundo entrariam
diretamente por Portugal para um mercado imenso. Mas também saíam…o que
incomodava a alguns “poderes” europeus.
E
o aeroporto? Para quê um aeroporto novo, moderno, eficiente e eficaz, gerador
de emprego e negócio? Para quê retirar do centro da capital? Para quê planear e
desenvolver projetos? Que crime de “lesa Pátria” se estava a cometer; dar
trabalho aos portugueses! Melhor foi meter o projeto na gaveta, “despachar” os
nossos jovens para outras paragens, ir ao bolso aos reformados, sacar o pouco
que existe na administração pública, estrangular os serviços de saúde, atacar a
escola e os seus profissionais, tudo políticas para o bem dos cidadãos. “Eu
quero aplaudir”!
O
desemprego diminuiria, outras oportunidades surgiriam, outros investimentos
teriam sido uma realidade. Teríamos mais investimento, mais riqueza e menos
juros de dívida a pagar aos usurários. Tudo isto, com a Alemanha, capital da
europa e da usura a roer-se de inveja. Que pena. Se tivéssemos o orgulho de
antanho!
O
importante foi “derreter Sócrates” e o seu visionarismo, foi apelidá-lo das
mais vis infâmias, como se atacar o carácter de alguém fosse um ato de
honestidade intelectual.
Sabemos
que cometeu alguns erros, mas também só não os comete quem não faz! Deveria ser
atacado por isso, e nada mais do que isso. Se assim tivesse sido estávamos a
falar de política. De outro modo, “de mulherio de soalheiro”! Deram um mau
exemplo!
Não
sei se saberá bem, a alguns, demorar “uma hora e picos” entre Coimbra e Paços
de Ferreira, não precisar de entrar no trânsito frenético do Porto para chegar
a Valença. Mas a mim custa-me, lá isso custa, não ter uma via rápida entre
Coimbra e Viseu. Que raio terão andado a fazer os políticos de Coimbra durante
estes anos? Coisa que carece de explicação…digo eu!
Pouca
gente anda nas autoestradas porque dizem ser caras. E são. Porque o valor do
trabalho não é importante para a sociedade que estamos a construir. Se o fosse,
ai se o fosse, e se os ordenados fossem justos, os camiões não andavam nas
estradas nacionais a chatear quem trabalha! Faziam o percurso natural entre
“carga e descarga”! Mas como o importante é pagar pouco e explorar até ao
tutano, “poupar na farinha e gastar no farelo”…é o País que temos! É o País que
merecemos. É o País que o Povo merece!
Como
dizia o outro; “quem os lá pôs que os de lá tire”!
Perdemos
tempo…sem retorno!
in "as beiras" dia 22 de Janeiro de 2014

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