quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A MINHA ALMA ESTÁ PARVA

Afinal, o TGV e o Aeroporto de Lisboa, talvez da “rive gauche”, irão ser uma realidade de acordo com as orientações do governo. O mesmo governo que, de forma pouco correta e nada cordata, anunciou que seriam duas obras megalómanas do governo socialista.

Que o governo o tenha dito não me espanta. O que me espantou, ou talvez não, foi o silêncio cúmplice dos socialistas que não saíram em defesa do seu projeto de desenvolvimento do País. Sim, porque todos perceberam, minto, alguns perceberam, que seriam duas obras de dimensão estrutural determinantes para a nossa afirmação na Europa. A mesma Europa que nos atira para a pobreza e a miséria.

Sabíamos, melhor, alguns sabiam, que o TGV nos aproximaria do centro da europa a partir de Sines, porto de águas profundas único no continente. Teria sido para nós o “grito do Ipiranga” económico. As mercadorias de todo o mundo entrariam diretamente por Portugal para um mercado imenso. Mas também saíam…o que incomodava a alguns “poderes” europeus.

E o aeroporto? Para quê um aeroporto novo, moderno, eficiente e eficaz, gerador de emprego e negócio? Para quê retirar do centro da capital? Para quê planear e desenvolver projetos? Que crime de “lesa Pátria” se estava a cometer; dar trabalho aos portugueses! Melhor foi meter o projeto na gaveta, “despachar” os nossos jovens para outras paragens, ir ao bolso aos reformados, sacar o pouco que existe na administração pública, estrangular os serviços de saúde, atacar a escola e os seus profissionais, tudo políticas para o bem dos cidadãos. “Eu quero aplaudir”!

O desemprego diminuiria, outras oportunidades surgiriam, outros investimentos teriam sido uma realidade. Teríamos mais investimento, mais riqueza e menos juros de dívida a pagar aos usurários. Tudo isto, com a Alemanha, capital da europa e da usura a roer-se de inveja. Que pena. Se tivéssemos o orgulho de antanho!

O importante foi “derreter Sócrates” e o seu visionarismo, foi apelidá-lo das mais vis infâmias, como se atacar o carácter de alguém fosse um ato de honestidade intelectual.

Sabemos que cometeu alguns erros, mas também só não os comete quem não faz! Deveria ser atacado por isso, e nada mais do que isso. Se assim tivesse sido estávamos a falar de política. De outro modo, “de mulherio de soalheiro”! Deram um mau exemplo!

Não sei se saberá bem, a alguns, demorar “uma hora e picos” entre Coimbra e Paços de Ferreira, não precisar de entrar no trânsito frenético do Porto para chegar a Valença. Mas a mim custa-me, lá isso custa, não ter uma via rápida entre Coimbra e Viseu. Que raio terão andado a fazer os políticos de Coimbra durante estes anos? Coisa que carece de explicação…digo eu!

Pouca gente anda nas autoestradas porque dizem ser caras. E são. Porque o valor do trabalho não é importante para a sociedade que estamos a construir. Se o fosse, ai se o fosse, e se os ordenados fossem justos, os camiões não andavam nas estradas nacionais a chatear quem trabalha! Faziam o percurso natural entre “carga e descarga”! Mas como o importante é pagar pouco e explorar até ao tutano, “poupar na farinha e gastar no farelo”…é o País que temos! É o País que merecemos. É o País que o Povo merece!

Como dizia o outro; “quem os lá pôs que os de lá tire”!


Perdemos tempo…sem retorno!

in "as beiras" dia 22 de Janeiro de 2014

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